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Lance Campeão



Final de campeonato, um domingo especial de futebol.
Sentado, à frente da tevê, esperava vibrar com os gols, as jogadas da rodada final do Campeonato Brasileiro. As emoções futebolísticas fariam meu coração bater forte.
Sou torcedor do São Paulo, time pelo qual tenho simpatia, desde os tempos do mestre Telê Santana. O futebol é um esporte que me encanta, porque desafia a lógica, emociona, apaixona, surpreende.
Enfim, tudo correu, conforme o esperado pela torcida tricolor. Jogo encerrado no Estádio Bezerrão; São Paulo sagrou-se campeão. Parecia que as emoções se apaziguariam e, como torcedor, eu me aprazeria com a merecida festa da vitória.
Eis que, em meio à comemoração do título são-paulino, a Tv Bandeirantes passou a transmitir flash de outro acontecimento.
De repente, surgiram as imagens trágicas de um torcedor vascaíno. Ao contrário do São Paulo, o Vasco estava na ponta de baixo da tabela, e teve a sua queda decretada para a segunda divisão do Futebol Brasileiro.
O jovem torcedor, chamado Nando, apresentava-se transtornado, agarrando-se à beira da marquise do estádio São Januário, pronto para precipitar-se de uma altura de 20 metros. Nesse instante, meu coração de torcedor apertou-se, como se estivesse assistindo à cobrança de um pênalti contra o meu time. Não sabia se desligava o televisor, ou se virava de costas. Mas, fiquei com os olhos grelados nas cenas, muito assustado, até sussurrando, pedindo baixinho para que parassem de transmitir aquelas imagens insuportáveis.
O rapaz, que estava tomado pelo desespero, tentava o suicídio, e transmitia fielmente a mensagem de amargura de um torcedor derrotado. Agarrado na ponta da marquise, estava quase caindo, sem forças até para retornar; já passara mais de meio corpo da beira.
Na arquibancada, abaixo dele, os torcedores esqueceram, por um instante, de chorar. Todos olhavam para cima, percebendo a gravidade da situação. Começaram a estender uma grande bandeira vascaína, na esperança de amparar a provável queda do suicida.
Eu queria poder ajudar, também; como gostaria de fazê-lo! Cerrava o punho, remexia-me na cadeira, mas sabia da minha impotência diante dos acontecimentos.
Então, comecei a pedir por aquela pessoa tão desconhecida. Eu torcia pela “defesa milagrosa do goleiro”. Os bombeiros se aproximaram do suicida, e ele se desesperava ainda mais; e eu também estava me desesperando junto.
Meu Deus, como uma vida pode se esvair dessa forma? Não permita, não permita!
Num lance mágico, como um goleiro que se joga no canto certo, um bombeiro herói alcança o jovem suicida, puxando-o para o lado da vida.
Ufa!
A minha felicidade foi tanta que soquei o ar, em comemoração. Nem me importei mais com futebol, com campeonato, com gols.
E, para Nando, o jogo terá prorrogação; sua real peleja, agora, poderá ser continuada, quem sabe, vencida.
A verdadeira campeã tinha sido, por fim, revelada: a Vida!

(Em 7.12.2008)

Aluísio Azevedo Júnior
Enviado por Aluísio Azevedo Júnior em 31/12/2012


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