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Parece estranho. Mas, existem selvas de piso encerado. Mesmo em lugares inimagináveis, pouco espaçosos, os arbustos brotam e se põem de pé. O transitar, nestes cômodos empestados, se restringe a trilhas demarcadas.
Não raro, ouve-se algum chacoalhar nas folhagens. Em seguida, o toque-toque de calçados, em ronda desenfreada. Passando para um lado, para o outro, assemelham-se aos predadores famintos. Uma bufenta iminência do perigo vai demarcando os ambientes com seu perfume. Há sempre quem se considere ameaçado, personificando sua autocondescendência. Fingindo-se de vítimas, estes seres acomodam-se num esperar cauteloso. Como as mais frágeis criaturas, aquelas que se passam por mortas, readormecem. Nas sombras dos arbustos, invocam a proteção. No silêncio, procuram guarida. Enrolam-se no menor dos espaços, como embuás.
Não encontrando vida, reação, aqueles saltos inquietos seguem demarcando territórios bem estreitos, vasculhando, revirando tudo. Com a veemência de uma agressão não intencional, batem-se portas, janelas, gavetas. E coisas se atiram ao chão, como se os próprios corpos ali fossem jogados. Cada queda, um estampido de som que aperta no peito. Uma dor, outra dor.
De vez em quando, um defrontar acidental de assombrações não permite alternativas. Nada de desespero. Nada de alegria, também. Murchando, como uma descuidista flagrada, a voz engasga para dentro, único esconderijo que lhe sobrara.
Simples rotina, simples rotina das selvas mais traiçoeiras.
Aluísio Azevedo Júnior
Enviado por Aluísio Azevedo Júnior em 08/04/2013


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